Aikidô

Cresci assistindo a série “Kung Fu” na TV com o ator David Carradini. Me lembro como admirava a sua serenidade e a eficácia e plasticidade dos seus golpes. Se você tem mais de 40 anos, talvez saiba do que estou falando. E então vieram os “Karate Kid(s)” e “O último samurai”, entre outros.

Passei grande parte das minhas primeiras décadas querendo ser como eles. Mas a vida me levava em outras direções. Só não conseguia levar o sonho de mim. E assim fui até os meus 30 e poucos anos quando, por me julgar velho demais para “sonhos marciais”, os enterrei por completo. Mas, como a cova era rasa, de tempos em tempos eles puxavam o meu pé e me lembravam que estavam por lá.

Até que, no dia do meu aniversário de 45 anos – e mesmo sem o meu consentimento – eles, os sonhos, ressuscitaram e me arrastaram a uma academia (dojo) de Aikidô. E lá estava eu pisando pela primeira vez em um tatame. Não me surpreendia ser o faixa branca mais velho, isto eu já esperava. Mas assustava-me ser o aluno mais velho do dojo. Só quem não estava assustado era o meu sonho, “recém renascido” e louco por aquilo.

Seis anos, dois meses (e 5 longos dias!) depois daquele primeiro treino e com alguns tendões a menos, eu me tornei faixa preta. Isso já faz mais de cinco anos, mas o orgulho vestir o quimono a cada treino ainda é o mesmo. Acho que sempre será. Deve ser mais ou menos assim que Clark Kent, o super homem, sente-se ao vestir seu uniforme.

Para mim, a faixa preta foi libertadora.
Pois dei vazão aos meus sonhos marciais de criança.
Pois me tornei aquilo que nem pensava ser capaz aos 45 anos.
Pois me empoderou, me permitiu novos voos e em novas direções.
Pois me fez nunca mais querer parar de sonhar.

Engenheiro, formado pelo Mackenzie, com especializações em marketing e negócios nos EUA e Inglaterra e MBA em varejo pela USP.